segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Bons pensamentos merecem ganhar vida!

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."
(Fernando Pessoa)

domingo, 15 de junho de 2008

Diálogo em "Alice no País das Maravilhas"


Alice: - Você poderia me dizer, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Gato de Cheshire: - Isto depende bastante de onde você quer chegar (...).
Alice: - Eu não me importo muito com isso (...).
Gato de Cheshire: - Então não importa muito que caminho você irá tomar.

Quero chegar à minha felicidade (...) à minha - ênfase desapegada de posses, individualismo ou egoísmo, apenas apegada à minha mente e ao meu coração, uma vez que o meu ideal de felicidade e "o seu" possam vir a diferir.
Pois gatinho sorridente de Cheshire, como no meu ideal de felicidade é impossível ser feliz sozinha,... "conduza-nos, por favor, à nossa" felicidade! ;)

"...que linda menina vejo aos teus olhos assomar..."




Após um fim de semana/feriado/férias,... na companhia dos meus maravilhosos pais, sinto-me bem mais feliz, nascendo de novo,... sim, eles sempre me dão nova luz, nova vida! São, sem dúvidas, os seres que eu mais amo entre toda a espécie.


CARINHO* **

Querida mãe,
quando me beijas,
eu beijo-te ainda mais
e o enxame dos meus beijos
nem sequer te deixa olhar.

Quando a abelha entra no lírio
não se sente o esvoaçar.
Quando escondes tua filhita
nem se ouve respirar.

Olho para ti, olho sempre
sem que me canse o olhar;
que linda menina vejo
aos teus olhos assomar.

O tanque reflecte tudo
o que tu estás a olhar;
mas tu nas pupilas tens
a tua filha e nada mais.

Os olhinhos que me deste
ainda tenho de os gastar
a segui-los pelos vales,
pelo céu e pelo mar.

*Onde lê-se mãe/mother´s, leia -se também pai/father´s
**Adaptado de GABRIELA MISTRAL, in. Antologia Poética (Editorial Teorema, 2002 - Selecção, tradução e apresentação de Fernando Pinto do Amaral)

Sem comentários...

“Pergunta: Se houvesse um holocausto nuclear, que casal (homem + mulher) escolherias pra preservar e multiplicar a raça humana?

Resposta: O padre e a Madre Teresa de Calcutá!
(Carolina Zuniga, durante o concurso de Miss Chile)”

“Cada vez que vejo, na televisão, estas pobres crianças do mundo a morrer de fome, não consigo evitar o choro. Quero dizer, gostaria de ser tão magra quanto elas, mas sem todas aquelas moscas, a morte e tudo o resto...” (Mariah Carey)

Carinho não se agradece, mas obrigada mesmo assim!



Viva-vida-carinhosa!
Gosto muito de cartões, mensagens, abraços, recadinhos, demonstrações de carinho,... e quem não gosta?! #)
Em nosso aniversário e em datas comemorativas,... essa interação costuma ser mais efetiva: - que bom que existem essas datas (apesar da supervalorização comercial que se é dada à elas) e mais ainda: - que bom que existe todo dia!!!
Obrigada a todos os carinhosos! ;) (lembrei agora daquele desenhinho fofo "os ursinhos carinhosos" - afinal o mundo seria muito legal com eles e, às vezes, sinto-me vivendo no meio de muitos deles aqui na realidade e não é à toa, pois, que o mundo é mesmo tãooo lindo!)
*Capa do cartão lindo que recebi de amigos campinenses em meu aniversário de 23 aninhos e primeiro comemorado também numa rodoviária (risos); com certeza, momento inesquecível.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Não devem gostar das alturas... o céu fica distante.

Do 6º andar não foi atirada só a garotinha amada pelo Brasil (excetuando-se o pai e a madrasta?!), foram atirados muitos e muitos valores, especialmente a sensatez da mídia e do povo.
[penso eu "sem" acreditar que a saga do tal casal é o IBOPE do ano, a novela escrita por cada jornalista e advogado... em que se é bem previsível os passos de negar-se até o fim (a fim de criar-se aquele suspense?!) e quando as provas parecerem superiores, apelar pra alegar-se loucura (ou pareceria algo tão óbvio, além do quê loucura-tipo-ruindante faria do famoso seria cômico, não fosse trágico destoante do gênero da novelinha?!) ou livrar ao menos a pele de um dos dois, um só assumindo ou não toda a culpa pra conferir-se o ar de vilões definitivos ou de romance à (e/hi)stória, afinal destituída estando a madrasta das regalias do nível superior, sendo mãe que tem os filhos pra criar e podendo quem sabe até fazer vistinhas também ao marido (coitadinho do preso que receberia até beijinhos) já seria lucro?! (...) O lamentável é tratar-se de vida real e existir uma garotinha sem direito a existir, como tantas outras mascaradas por trás desses entretenimentos absurdos. Nessas horas eu consigo até a proeza de preferir a novela das 8 a ler um jornal - "SIM", Lázaro Ramos e Marília Pêra (acho-a fantástica, desde que ela interpretou um papel na minissérie baseada em Incidente em Antares, de Érico Veríssimo e a interpretação como "Gioconda" então... só fortaleceu minha admiração), "A GENTE PODE!" A gente pode, ao menos, não ser tão alienado, tão patético, tão ruim...] .

sábado, 17 de maio de 2008

Anti-tabagismo

“Se Deus quisesse que as pessoas fumassem ter-lhes-ia posto uma chaminé na cabeça”.

O cérebro e a noção do tempo

Porque os bons textos merecem ser "democratizados" (3)

"O Tempo é muito lento para os que esperam.
Muito rápido para os que têm medo.
Muito longo para os que lamentam.
Muito curto para os que festejam
Mas para os que amam o tempo é eternidade."

Por Airton Luiz Mendonça
(Artigo do jornal o Estado de São Paulo):

"O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reacções internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objectos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr-do-sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente optimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar
conscientemente tal quantidade.

Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.
É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente
colocando suas relações no modo automático e “apagando” as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência).
Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa...
São apagados de sua noção de passagem do tempo...

Quando você começa a repetir algo exactamente igual, a mente apaga a
experiência repetida.

Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir -as mesmas ruas,
pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações...
enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de
novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...
ROTINA

Não me entenda mal.
A rotina é essencial para a vida e optimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo:
M & M (Mude e Marque)
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou
registros com fotos;
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas;

Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia);

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de
momentos usuais;

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo,
bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite
parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do
cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo;
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente;
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes;
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências
diferentes;

Seja diferente!

Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... em outras palavras......

V-I-V-A. !!!*

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e
buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais
interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.

Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.

Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?

Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade,
emoção, rituais e vida."

"Problema com bebidas"

Clickando-se na imagem, evita-se ter problema também com a visão.

De Alberto Caeiro

Porque bons textos merecem ser "democratizados" (2)

Falas de civilização...
Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Homofobia

"Por que é que, culturalmente, nós nos sentimos mais confortáveis vendo dois homens segurando armas do que dando as mãos?" (Ernest Gaines)
*17 de Maio - Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia (a data está relacionada com a retirada da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ocorreu em 17 de maio de 1990 e foi oficialmente declarada em 1992).

De Rubem Alves

Porque os bons textos merecem ser "democratizados" ;)
"Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’
Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim..."(O retorno e terno, p. 51.)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pneumotórax - Manoel Bandeira

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .

— Respire.
......................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
***
Que bonitinho* isso da medicina, do "meu" mundo: os sintomas, o frêmito toraco-vocal,... num poema de Manoel Bandeira que é da terra dos meus colegas pernambucanos!

*Certa vez comentava com Vany (colega de sala), que casos raros ou quando o paciente se queixa de sintomas - bem direitinho - exatamente conforme aquilo que esperaríamos ao fazer uma anamnese em que já sabíamos previamente o diagnóstico - coisa bem caso de livro - não tínhamos como conter uma sensação de “que massa! - interior”. E, ao mesmo tempo, que tínhamos consciência que de “massa” isso não tinha nada, afinal antes o paciente estivesse nos dando a oportunidade de sentir um “que massa!” por saber da recuperação e cura que vem tendo o paciente... então, eis porque destaquei o “que bonitinho” que, conforme disse, sei que não tem nada (ainda que como diria uma música de Engenheiros - nada é uma palavra a espera de tradução) exatamente de bonitinho, mas é entendível o porque de certas exclamações assim “nada a ver”, afinal a medicina é real, a ciência faz sentido, tudo é “bem encaixadinho” como diria Dra. Marta em relação a auto-explicação da endocrinologia via fisiopatologia e a medicina além de tudo ainda consegue ser arte,...!
E que massa que hoje em dia há a quimioterapia e é bem mais raro a ocorrência de tuberculose (agora sim, um que massa apropriado!)
Mas, poderíamos sim aproveitar o tango... ao menos dançar o tango com o paciente agora em comemoração?! Os professores de psicologia médica talvez condenassem... #)

Outra coisa que chama a atenção nesse poema é a sugestão do paciente em “tentar-se o pneumotórax”...poderia-se pensar “como assim, ele queria que o médico fizesse um pneumotórax iatrogênico nele?! Desde quando pneumotórax é tratamento e não problema?!”
Pesquisando a respeito eu li que antes do surgimento da quimioterapia específica, os pacientes tuberculosos eram tratados com repouso e medidas higieno-dietéticas. Com esses objetivos terapêuticos, eram internados em sanatórios construídos em regiões às quais se atribuíam condições climáticas favoráveis para a cura da enfermidade. Em tais sanatórios os doentes também se submetiam a procedimentos cirúrgicos, como o pneumotórax terapêutico preconizado por Forlanini (uma colapsoterapia e esta prática do pneumotórax artificial disseminou-se por todos os países, constituindo-se no tratamento heróico e considerado o primeiro tratamento racional para "os tísicos" até o início da década dos anos 50).

A tuberculose no Brasil teria trazido realmente várias implicações literárias tendo ganhado destaque o romance Floradas da Serra (1939), de Dinah Silveira de Queiroz, cuja trama se passava em São José dos Campos (SP). Diversos poetas brasileiros, afligidos pela tuberculose, dedicaram-lhe versos. Como fizeram, em alguns momentos de suas vidas, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Raymundo Correia, Augusto dos Anjos, Martins Fontes e Manuel Bandeira.

E se tivermos a oportunidade de passar pela Policlínica Geral do Rio de Janeiro talvez tenhamos a oportunidade de ver uma das radiografias dos pulmões de Bandeira!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Idade pra se votar e ser punido...

Meu irmãozinho em seu blog havia escrito o seguinte:
"A campanha publicitária da primeira série brasileira do canal FOX, 9mm, trás uma polêmica bastante pertinente: um jovem de 16 anos pode votar e decidir o futuro do seu país... mas não pode ser considerado responsável por um crime e não pode ser preso e punido como uma pessoa maior de 18 anos. Abro o espaço deste blog para que vocês possam opinar a respeito..." Abaixo opino e também abro o mesmo espaço... [seja você menor ou maior de 16 anos ;)]
Infelizmente muitas pessoas morrem "antes do tempo", muitas crianças realizam trabalho infantil, muitas são mães antes de terem se quer útero preparado pra isso, muito menos cabeça... enfim, são muitos os direitos e deveres que são tirados e concedidos a menores ou maiores de 16/18 anos, além das questões criminais e de votação, que estão acima do que a lei possa fazer por elas...
Mas, se é de divagar a respeito:
Creio que pensar em termos de super-ego seria um dos menos injustos definidores buscando-se pensar racionalmente sobre essa questão, uma vez que o super-ego é como se fosse o doador de moral e princípios ao ser humano, segundo Freud e ele já deveria está mais ou menos configurado numa pessoa de 16/18 anos; logo ela deveria ser capaz de diferenciar (ainda que isso seja difícil pra qualquer um independentemente da idade) mais ou menos aquele que teria chances de ser um bom administrador público daquele que não... bem como saber que não é certo matar, roubar ou cometer adultério #) (afinal a primeira eucaristia que fala dos 10 mandamentos é feita por volta dos 11 anos de idade hehehe =P).
Mas voltando ao super-ego, o de uma pessoa de 30 anos por vezes pode ser inferior ao de uma de 16/18 anos visto que a estruturação dele é influenciado por questões socioeconomico-ambiento-culturais (esse ambiento no meio deve ser um neologismo mônical). Então, por via das dúvidas, teriam que acabar fazendo um psicoteste nos cidadãos antes de pôr em suas mãos um título de eleitor e eu, particularmente, tenho achado votar algo tão complexo, como se eu fosse quase incapaz de votar certo, que se concurso público não fosse tão furado e tivesse uma prova capaz de medir a honestidade e competência do candidato eu preferiria que assim o fosse decidido meu voto.
(...)Um aspecto construtivo que costumam argumentar contra a punição de pessoas de 16 anos por crimes cometidos é a esperança que nelas depositam de que se reestruturem, não misturando-se com os infratores distantes deles 2 anos acima (18) ou mais e a esperança não deixa de ser algo salutar... (e afinal essa não é a mesma mantida para os maiores de 18 anos também quando após alguns anos presos voltam a vida em comunidade?!) No entanto, “punições menores” que culminariam, por exemplo, com a volta do menor pra mesma favela, pra mesma falta de educação, pro mesmo uso de drogas... certamente só fariam-no pensar em repetir as infrações quantas vezes fossem possíveis enquanto estivessem protegidos por esses anos de vida imune à responsabilidade. Enquanto que punição como a internação em estabelecimento educacional, um dos ítens constantes no Estatudo da Criança e do Adolescente parece-me bastante plausível como suporte de alimentar esperança... No entanto, creio que isso além de não ter nada de punição (viria de brinde dos melhores), fira um tanto princípios de igualdade, pois veja bem: se eu fosse um infrator de 18 anos ou que não tive família, educação e até o mesmo conflito com a maldade, da mesma forma que o de 16 anos e nem por isso tive o perdão e esperança depositados pela lei no de 16, eu iria me sentir tão humilhado, tão excluído, me sentindo tão vencido como aquela garantia de computador que se encerra justo um dia antes dele apresentar problema, tão injustiçado e sem sorte... que na minha mente doentia [isso de minha mente doentia, que fique bem claro, foi apenas uma suposição usando-se de empatia #)] eu iria no mínimo usar formol e procurar aquele Abadia pra me dá umas aulinhas e ajudar-me a falsificar meus documentos todos, mudando-os pra menos de 18.

Talvez uma crônica e metáforas

A garota com folhas sobrepostas a pele - sim, porque o seu vestido verde rodado tamanho mínimo voava e realçava como folhas numa árvore viva e centenária - atravessava a faixa de pedestres em direção a sua tradicional esquina para mais uma noite de programa.

Ela desfilava como peça em vitrine ao atravessar naquela faixa-zebrinha, branca e preta, que certamente era pra ela e pros apreciadores mais uma fantasia ou aquilo seria também um código de barras gigante atribuido à garota - o produto a passear na esteira até chegar ao caixa e fazer o barulhinho de contabilizado e agora é só pagar?!

Suas folhas verdes em vestes tão somente deveriam cair no outono, quando assim sua natureza desejasse... Pois não, não há códigos de barra para ela, não há preço pro ser humano,... (pelo menos até a dita inteligência artificial criar algo similar ao que acontece naquele filme Gattaca, formando cidadãos-produto)

Afinal vem a natureza e dita regras simples:

A primavera vem e com ela lindas flores, folhas e vivências, o verão e o inverno regulam-na muito bem... o calor do verão decide pelo outono e com ele a queda das folhas, até que o inverno aproxima novamente as pessoas em busca de novo calor; com isso surge nova primavera e novas cores se criam, como num ciclo (progressivo, a menos que o homem estrague o processo - o que infelizmente tem sido comum) até que novas folhas cairão e renascerão em verde-novo, maduro.

Intimidade

"...A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade..." (Manoel de Barros)

Lembro, por exemplo, que gostava pouquíssimo de física até manter certa intimidade com ela; depois de um tempo estudando-a pro vestibular, passei a desgostá-la pouco; esse pouco foi tornando-se bem menos do que o tanto muito que a desgostava anteriormente... e hoje, chego ao ponto de considerá-la interessantíssima, ainda que isso não signifique que saiba muito a respeito, mas com certeza, que ela me desperta algo bem superior a gostar ou não gostar, significa que há certo envolvimento.

E sei também que há casos e pessoas que quanto mais conhecem algo, mais desgostam desse algo... e isso está acima de qualquer consideração importante acerca de envolvimento.

Quando penso em intimidade em relação a pessoas chego a pensar em algo similar às minhas impressões a respeito da física: quanto mais intimidade tenho, mais gostar ou desgostar tenho, mas há de se considerar o envolvimento, e sendo "as minhas pedrinhas maiores ou menores", apesar de tudo ou de nada, eis que são-as-minhas!

E isso me faz lembrar Saint Exupéry em "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" o que pode vir a ser desgostoso certas vezes mas, com isso, há de se lembrar também de outra célebre frase dele "o essencial é invisível aos olhos" e tudo isso poderia vir a justificar um apego, ainda que sem motivo aparente de se gostar ou desgostar...