quinta-feira, 1 de maio de 2008

Intimidade

"...A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade..." (Manoel de Barros)

Lembro, por exemplo, que gostava pouquíssimo de física até manter certa intimidade com ela; depois de um tempo estudando-a pro vestibular, passei a desgostá-la pouco; esse pouco foi tornando-se bem menos do que o tanto muito que a desgostava anteriormente... e hoje, chego ao ponto de considerá-la interessantíssima, ainda que isso não signifique que saiba muito a respeito, mas com certeza, que ela me desperta algo bem superior a gostar ou não gostar, significa que há certo envolvimento.

E sei também que há casos e pessoas que quanto mais conhecem algo, mais desgostam desse algo... e isso está acima de qualquer consideração importante acerca de envolvimento.

Quando penso em intimidade em relação a pessoas chego a pensar em algo similar às minhas impressões a respeito da física: quanto mais intimidade tenho, mais gostar ou desgostar tenho, mas há de se considerar o envolvimento, e sendo "as minhas pedrinhas maiores ou menores", apesar de tudo ou de nada, eis que são-as-minhas!

E isso me faz lembrar Saint Exupéry em "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" o que pode vir a ser desgostoso certas vezes mas, com isso, há de se lembrar também de outra célebre frase dele "o essencial é invisível aos olhos" e tudo isso poderia vir a justificar um apego, ainda que sem motivo aparente de se gostar ou desgostar...

Um comentário:

Unknown disse...

Você é uma enormeee pedrinha do meu quintal! =D